Sra Maria, 25 anos, refere atraso menstrual de 10 semanas e que o teste de urina comprado na farmácia se mostrou positivo para gestação. Está surpresa, pois não havia planejado essa gestação, mas conta que sua família recebeu bem a notícia e está apoiando-a. Maria tem uma filha de 5 anos, fruto de um relacionamento anterior, cuja gestação evoluiu bem e sem intercorrências. Vive com o novo companheiro há 2 anos. Nega problemas de saúde na família ou uso de medicações regulares. Na primeira consulta, a Dra Sílvia deixou-a falar sobre seus sentimentos e expectativas em relação à gravidez , além de questioná-la sobre possíveis fatores de risco gestacional. No exame físico, a pressão arterial estava 100 x 70 mmHg, o peso era de 60 kg e a altura 1,5m. Solicitou exames laboratoriais previstos para o primeiro trimestre e combinaram nova consulta em 4 semanas.

No retorno, com 20 semanas de amenorreia (teve compromissos profissionais e precisou reagendar a consulta), Maria está mais tranquila, sem sintomas e escolhendo nomes para o bebê. No exame físico a PA está 130x86 e seu peso 68 kg. Traz os exames solicitados: hemoglobina 11; hematócrito 34; glicemia de jejum 85 mg/dL; exame analítico de urina sem proteinúria, nitritos negativos, glicosúria negativa, hemoglobinúria negativa; urocultura com 80.000 unidades formadoras de colônia (UFC); igM não reagente e IgG reagente para toxoplasmose; VDRL 1:2; anti-HIV Elisa não reagente, HbsAg não reagente.

I- Houve aumento da PA entre a primeira e a segunda consulta. Qual a impressão e o manejo?

a) Aumento esperado por causa do aumento de peso e da circunferência braquial; segue em acompanhamento regular, com orientação sobre restrição de sal.

b) Apesar do aumento da PA, segue em acompanhamento regular, pois além de não ter atingido 140x90, não foi descrita a presença de edema, sinal maior de pré-eclâmpsia.

c) Deve-se atentar para a possibilidade de pré-eclâmpsia, medir novamente a PA, reagendar uma consulta de revisão entre 7 e 15 dias e orientá-la sobre a ocorrência de sintomas como cefaleia, escotomas, epigastralgia e redução da movimentação fetal.

d) Diagnóstico de pré-eclâmpsia leve; encaminhar ao pré-natal de alto risco e iniciar medicação anti hipertensiva de uso seguro na gestação.

 

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II- O exame de glicemia de jejum foi de 85 mg/dL, o IMC é de 30,2. Qual a impressão e o manejo?

a) Valores adequados; repetir glicemia de jejum no segundo trimestre.

b) Suspeita de diabetes melito gestacional (DMG) e sobrepeso; solicitar teste de tolerância a glicose oral (TTGO) de 75 g e orientar hábitos alimentares e atividade física adequada.

c) Sobrepeso; encaminhar para PR-e-natal de alto risco para manejo.

d) Sobrepeso e ganho excessivo de peso

 

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III – Paciente nega queixas, mas a urocultura apresenta 80.000 UFC. Qual a impressão diagnóstica e o manejo?

a) Provável contaminação genital; solicitar novos exames no segundo trimestre e remarcar consulta em 4 semanas.

b) Bacteriúria assintomática; iniciar tratamento com ampicilina 500mg, de 6/6h, por 3 dias, e repetir urocultura após tratamento. 

c) Bacteriúria assintomática; repetir urocultura com brevidade e reagendá-la para 1 semana.

d) Infecção do trato urinário; iniciar tratamento com ampicilina 500mg, de 6/6h, por 7 dias, e repetir urocultura após tratamento. 

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IV- A Sra. Maria amamentou sua primogênita por 2 meses apenas, pois alega que necessitou trabalhar e apresentava fissuras dolorosas. Qual a conduta nessa gestação?

a) Exame físico minucioso, em busca de mamilos planos ou invertidos ou de outros achados que impossibilitem a amamentação.

b) Uso de óleo de amêndoas e fricção mamilar com toalha áspera para promover o fortalecimento da pele das mamas e prevenir o surgimento de estrias e fissuras mamilares.

c) orientá-la sobre os benefícios do aleitamento materno, sobre as possíveis dificuldades e sobre a possibilidade de ordenha e armazenamento do leite, caso necessite retornar precocemente ao trabalho.

d) Informar que fissuras não podem ser prevenidas e que devem ser tratadas com a utilização de medicamentos anti-inflamatórios e antibióticos tópicos para evitar a evolução para a mastite.

 

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V- O exame de VDRL apresenta a titulação de 1:2 e a Sra Maria nega ter tido sífilis. Qual a impressão e o manejo?

a) Provável erro laboratorial; repetir exame no segundo trimestre.

b) Provável cicatriz sorológica de sífilis não diagnosticada; repetir exame no terceiro trimestre;

c) Não se pode descartar sífilis. Solicita-se FTA-Abs para descartar falso positivo do VDRL e considerar tratamento do casal com penicilina na dose para estágio desconhecido;

d) Não se pode descartar sífilis; prescrever tratamento com penicilina benzatina 2.400.000 UI IM para a gestante e para o parceiro e repetir VDRL no terceio trimestre;

 

Créditos: Maria Lúcia Medeiros Lenz e Lúcia Naomi Takimi

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