Manifestações de Junho/2013 : Veredas de uma narrativa nas ruas e nas redes

"Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares." Guimarães Rosa

Quatro anos não é tempo suficiente para o julgamento da História, mas em tempos de internet, de aceleração dos acontecimentos provocado pela comunicação online, quatro anos é bastante tempo! Pelo menos para uma narrativa dos fatos, uma quadra de anos, intervalo de uma Copa do Mundo, em que os times se reciclam e resultam na realidade vivida hoje no Brasil, de novas forças, do bem e do mal.

As manifestações de junho de 2013. Para que fomos às ruas? Tanta mobilização nas redes sociais para termos Temer na presidência numa manobra golpista, perda de direitos com as reformas da previdência e trabalhista, desmonte do SUS...

Ao ver o movimento contra o aumento das tarifas no dia 13 de junho de 2013, com a reação violenta da polícia na Av Paulista e o povo saindo no dia 17 de junho por todo o Brasil, ampliando a indignação pela violência opressora do Estado, confesso que fiquei esperançoso. Acuamos governos que não aumentaram as passagens dos transportes coletivos em todo o país naquele ano, assustamos legisladores que, por pouco tempo, pensaram no Brasil, desengaventando propostas de interesse popular. E o executivo, começando pela Dilma, passando por governadores e prefeitos, procurando respostas (estabanadas e estapafúrdias algumas) para as exigências de melhoria nos serviços públicos, particularmente em saúde e educação.

A entrada dos black blocks no movimento enfraqueceu as manifestações, a resposta violenta contra a violência do Estado afastou a multidão das causas populares

Redes sociais são invadidas por pensamentos sectários, disseminando o ódio e o preconceito, mais do que o convívio democrático da diferença e da luta por uma sociedade mais justa (não uma sociedade igualitária, pois diferentes somos todos nós, ricos ou pobres, mas tendo a vida como bem-comum a defender). Prospera a "individualidade em rede" mais do que a rede solidária, que tanto sonhamos. Perdemos o rumo e o foco e escolhemos a liberdade niilista do Facebook, sua fogueira das vaidades. Nas ruas, o encontro apenas para o protesto, sem projetos nacionais ou locais.

No livro "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, Riobaldo inicia uma longa narrativa para que um interlocutor responda a ele se o diabo existe. "O diabo na rua, no meio 'da rede moinho'", é a grande dúvida que permanece, nesta luta eterna. Se a rede social é, de fato, a porta do inferno, ou o caminho da redenção.

Nunca precisamos tanto de coragem, nas veredas das redes sociais, neste grande sertão da internet, como agora.

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